Eleições 2018: Eleitor pode virar “juiz” e mudar rumo da lava jato

Por Cleyton Silveira

20160810_154219 - CopiaEm três anos da Operação Lava Jato na primeira instância, já foram 120 condenações. No STF, o ritmo é bem mais moroso. Há investigações no Supremo contra políticos há mais de dois anos. Ninguém nem sequer foi a julgamento até agora.

Líderes políticos já se deram conta da ameaça de perder a eleição e o foro privilegiado. E articulam uma reforma eleitoral para reduzir o risco de serem punidos pelo julgamento do eleitor. O nome dessa articulação: lista fechada – sistema de votação para deputado por meio do qual não se vota num candidato, mas no partido, que é quem escolherá quem são os políticos prioritários para ocuparem as vagas conquistadas pela sigla nas urnas.

“Tudo isso é mortal para quem quer se reeleger”, diz Hidalgo. “O brasileiro está buscando o ‘novo’.” Para ele, o eleitor só irá escolher um político se não surgir esse “novo” que conquiste sua confiança.

As pesquisas indicam isso claramente. Levantamento do Paraná Pesquisas mostra que 49% dos brasileiros dizem preferir um candidato de fora da política caso tenham essa opção nas eleições de 2018, caso isso aconteça grande parte dos políticos atuais perderia o foro privilegiado. Apenas 32% afirmam preferir um político de carreira.

Em maio de 2015, a Câmara Federal rejeitou a adoção do sistema de lista fechada para a eleição de deputados e vereadores – por meio do qual não se vota no candidato, mas no partido. A derrota da proposta no plenário foi expressiva: 402 votos contrários e apenas 21 a favor, já agora os Deputados rejeitaram o sistema por uma votação bem diferente tendo 205 votos a favor contra 238 e uma abstenção. O que mudou desde então? As delações da Odebrecht, que ameaçam atingir vários políticos? Fica a pergunta, mudar de ideia para o bem público sabemos que não é.

Se não fossem as “segundas intenções” dos políticos brasileiros, a ideia de instituir a lista fechada poderia estimular o debate sobre o melhor sistema eleitoral para o país.

A lista fechada existe em vários países democráticos. Seus defensores argumentam que ela fortalece os partidos e torna as eleições mais baratas – pois os candidatos de uma mesma sigla fazem campanha pelo partido e não competem entre si, o que tende a reduzir as despesas.

Doacir Quadros Doutor em Sociologia Política “afirma que a lista fechada, em tese, tornaria a eleição para deputado e vereador mais clara para o eleitor. Hoje, no atual sistema, o eleitor vota num candidato e muitas vezes nem sabe que ajuda a eleger outros nomes”.

Segundo Fernando Azevedo, a lista fechada funciona bem em nações onde há partidos ideológicos e programáticos, com os quais o eleitor se identifica. Mas ele pondera: “Não é o caso do Brasil, onde os partidos são frágeis”.

Para concluir finalizo com a frase do mestre Luiz Flávio Gomes “O que a operação lava jato não punir, cabe o eleitor fazer em 2018. Ou seja devemos fazer o voto faxina, fazendo uma limpeza generalizada”.

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