CLARÃO VISTO EM SALVADOR

Por Antonio Novais Torres

O clarão visto pela população de Salvador/BA ocorrido no dia 20 deste assustou as pessoas que o viram. Segundo os especialistas foi proveniente da queda de um meteoro. Muita gente emitiu opinião pessoal e ficou temeroso pelo acontecido, mas certamente ou com certeza, o episódio foi mesmo devido à queda de um meteoro conforme afirmaram os astrônomos.

A história registra outros acontecimentos com o de Gibbs nos EUA, o de Inem encontrado no México, o da Sibéria, o da Gualamba o maior de todos, com 32 mil libras, descoberto no charco argentino e o Bendegó no Brasil encontrado por Joaquim Mota Botelho em 1784 num serrote perto do Riacho Bendegó. Varias pessoa foram incumbidas de verificar a pedra extraordinária e misteriosa e providenciar a sua remoção para os devidos estudos.
Bernardo Carvalho Cunha mandou construir uma estrada calçada de pedra do Riacho Bendegó ao Rio Vaza-barris ou Irapiranga, onde o mesmo desagua. Um grande carretão foi construído com rijas madeiras, que devia ser puxado por doze juntas de bois, para que a pedra pudesse ser levada até o porto mais perto da capital Baiana. Colocou-se com grandes esforços a pedra sobre o carretão, mas não houve como travá-lo na descida íngreme. O carretão lançou-se a toda velocidade indo parar as margens do Riacho Bendegó. Foi uma tentativa malograda.

A pedra tinha as seguintes dimensões: 7 pés de comprimento, 4 de largura e 2 de espessura com o peso de 14.000 libras. Vários fragmentos foram enviados para análises, inclusive no exterior, porquanto se pensava que em sua composição tinha ouro e prata, na realidade constituía-se de ferro no teor de 95% e o restante de outros metais. Spix e Matius, alemães, que estiveram pesquisando no Brasil, foram ao local e avaliaram o seu peso em 21 mil libras.

Em 1785 Teodoro Sampaio constatou que a pedra se encontrava no mesmo lugar onde tombara quando da tentativa da remoção. Em 20 de agosto de 1887 foi para a Bahia e depositada no Arsenal da Marinha de Salvador. Concorreu para as despesas de transladação o Barão de Guaí, deputado pela Bahia, do seu bolso, a importância necessária ao transporte.

O Bendegó foi para o Museu Nacional do Rio de Janeiro em 27 do mês de novembro de 1888 onde se encontra. Colaborou com o transporte a Estrada de ferro da Bahia a São Francisco, Governo Imperial com auxílios indiretos, Jacomo Nicolau de Vincenzi que ofereceu o seu vapor nacional, Arlindo, para o transporte do meteoro, a Companhia do São Francisco, Arsenal da Marinha e a Companhia de Carris Urbanos, todos com o propósito do transporte em atenção aos interessados.

O Folclore brasileiro conta que o meteoro vindo do espaço aconteceu em 1640 e o povo dera-lhe o nome de pedra de Quilá – este nome provavelmente é africano.
Existe uma poesia feita em Monte Santo no fim do século XVIII quando a pedra foi encontrada, escrito e oferecido ao português Antonio de Souza Freira, morador na Ribeira, Pau Grande, com os seguintes versos:

Na infância da minha avó/Uma medonha faísca/Faz no espaço uma risca/E caiu no Bendegó;/O estampido e o pó/ Retumbou, quis sufocar;/E, indo a esse lugar/ Grande concurso de gente,/ Achava-se ainda quente/Aquela pedra Quilá.//Com a maior segurança/Deus a pôs nesse lugar; Ninguém a pode abalar,/Nem dar-lhe certa mudança;/ E, porque tem circunstância,/ Com esta certeza vá,/ Que nesta terra não há,/Só se for a Virgem Pura./Tem ciência e está segura/ Aquela Pedra Quilá.// O defunto Capitão-mor/ Bernardo Carvalho Cunha./ Nesse tempo se dispunha./Trazê-la do Bendegó;/ Achou-a firme qual nó,/ Como ainda hoje está;/ Carro e bois levou de cá,/ Com toda sua companhia,/ Não trouxe, como devia,/ Aquela pedra Quilá.// Depois que ele morreu,/ Ainda veio um viandante/ Ver se era diamante,/ Porém não a conheceu,/ O malho nela bateu:/ – Esta pedra não é má,/ Porém jeito nenhum dá./ No mesmo dia, voltou,/ Mais intacta ela ficou,/ Aquela Pedra Quilá.

O fenômeno ocorrido em Salvador no dia 20 deste produzindo um grande clarão, apavorou e assustou a população soteropolitana que supersticiosa alegaram ser o fim do mundo. Outros ficaram abismados com o fenômeno e deduziram pela imaginação ser um aviso divino. Segundo os especialistas foi mesmo a queda de um meteoro que se desintegrou no espaço e parte caiu em Salvador sendo visto por muitos soteropolitanos que, por falta de conhecimento, fizeram deduções imaginosas e ou supersticiosa a respeito.

Fonte:
Baseado em Segredos e Revelações da História do Brasil, tomo I de Gustavo Barroso, em artigo O Meteorito do Bendegó.

Antonio Novais Torres
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