Arquivos da categoria: Cultura

Condeúba: Transformaê no Colégio Estadual – Anexo Feirinha

Pela Profª Joandina

Alunos do 3º ano
Alunas do 3º ano

Atendendo a solicitação da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, escolas da rede estadual realizaram no dia 21 de Setembro atividades relacionadas ao programa “Educar pra transformar”. Atividades desse projeto estão relacionadas ao estímulo a leitura, fomento da arte, ciências, esporte e cultura.

No anexo da Feirinha alunos, professores e a coordenadora Silvani abraçaram o projeto com entusiasmo. Os alunos foram os principais protagonistas. Funcionários da escola e comunidade também participaram da atividade, o que valorizou ainda mais o trabalho. O lema é Transformaê, o que implica em ação, alegria e transformação. Continue lendo Condeúba: Transformaê no Colégio Estadual – Anexo Feirinha

Vitória da Conquista: Neojiba promove concerto gratuito neste domingo (24)

concerto-em-vitoria-da-conquistaO município de Vitória da Conquista recebe neste domingo (24) a décima e última edição da série Música de Câmara no Interior 2017.

O evento gratuito será realizado às 17h, no Centro Cultural Glauber Rocha, e contará com as apresentações dos grupos Wood Tropicales, Orquestra de Cordas do Núcleo Conquista Criança (Neojiba), Orquestra Conquista Sinfônica/Arcos (Associação das Culturas Orquestrais e Sinfônicas) e Coral do Conservatório Municipal.

A ação integra o projeto Caravanas Pedagógicas do Neojiba, por meio da Rede de Projetos Orquestrais da Bahia. Além do concerto, serão realizadas, no sábado (23), oficinas de técnica instrumental para alunos do Conservatório Municipal e de projetos da região.

Todas as atividades são gratuitas e fazem parte das comemorações dos dez anos do Neojiba. Em Vitória da Conquista, a iniciativa conta com a parceria da Arcos-OCS, Conservatório Municipal e apoio da Prefeitura Municipal.

Gordini

Por Nando da Costa Lima

Nando-3E a roda foi formada no jardim da praça central, era ali que Teodoro, o solteirão, contava suas aventuras e matava o povo de inveja. Ele tava falando da vez que foi num cruzeiro na costa brasileira e pelo que ele contou, comeu o navio quase todo, até a mulher do capitão! Começou pegando as arrumadeiras, depois as noivas que estavam em lua de mel (17, segundo suas contas), duas viúvas e nove divorciadas. Pra um cruzeiro de dez dias, ele caprichou.

Um dia, Teodoro “das Cavada”, no meio de uma farra, anunciou que tava pensando seriamente em se casar. A mulherada da região ficou toda assanhada, teve até gente que terminou noivado e namoro. Todas sonhavam entrar na igreja e se tornar esposa do maior bom partido daquelas bandas da caatinga, o homem tinha até uma ruralzona Willys e já tinha um Gordini novinho na garagem pra presentear a noiva, é mole?! Teo não era o que se podia chamar de homem bonito, mas dava pro gasto. Era baixinho, branquelo, mas sabia fazer dinheiro. Era comerciante, criava bode e tirava leite de umas vaquinhas. Era o homem rico das redondezas. E é claro que pra casar teve que fazer umas compras na capital, inclusive uma dentadura com novinha e tudo.

Tinha o povo do contra, os invejosos que falavam que Teodoro não era homem para casamento, pois, além de beber muito, só andava acompanhado de macho. Parece que nunca tinha namorado sério. Quanto a ir pra cama com alguém, nisso ninguém se metia, era um problema particular que nem as putas comentavam. Mas ele era gente boa, até o puteiro funcionava em uma de suas residências e não pagava aluguel nem nada. Sendo assim, mulher nenhuma ia cair na besteira de comentar o desempenho dele na cama. Quando falavam, era pra elogiar. Tonhão, que administrava o puteiro, tava sempre elogiando o caráter e a humildade do amigo de vários anos.

Só que Tonhão era noivo da moça mais cobiçada do trecho, e até ela se entusiasmou com a notícia de que Teodoro estava querendo casar. Já pensou, o homem além de ter tudo, ainda ia dar um Gordini “novim”. Marycler tava pensativa, aquele negócio de ser noiva de dono de puteiro nem pegava bem pra ela… Tonhão foi quem primeiro notou que a noiva tava querendo dar de banda. E agora? Quando Marycler falou que tava pensando em “dar um tempo”, ele quase saiu do sério. O que o dinheiro não faz? Mesmo assim, tentou se conter e argumentou.

– Por que isso, minha linda? Nós sempre nos demos tão bem, até as alianças eu já encomendei.

Marycler estava irredutível, sempre quis ter um carro.
– Mas isso não quer dizer nada, nós ainda nem marcamos a data do casamento, da muito bem pra dar um tempo.

Tonhão, quando viu que a noiva não ia mudar de opinião, resolveu contar a verdade sobre Teodoro das Cavadas, só assim pra resolver aquele impasse. Não queria perder nem a noiva e nem a amizade, mas pelo visto ia ter que sair perdendo alguma coisa…

Marycler quase morre de raiva quando soube da verdade, se descabelou de ódio. Aquele sacana tava iludindo as moças da cidade só porque tinha dinheiro. Adeus Gordini, sem falar o tempo que ela perdeu com o mala do noivo…

Pra resumir a história, porque se eu for falar muito sobre o caso dos dois vão me chamar de homofóbico. Tonhão foi quem ganhou o Gordini!

Doutor Lobisomem

 Por Levon Nascimento

lobisomenAstromar Junqueira (Rui Rezende), pernóstico de dia
e lobisomem à noite, com Mocinha (Lucinha Lins),
a filha da aristocracia.

Respondam-me: o que consegue ser mais brega, atrasado e pé-no-saco (assim mesmo, sem firulas) do que os floreios, as citações em latim, os rapapés, as togas e os vocativos mofados de “vossa excelência” prá cá e “doutor” prá lá, na boca da maioria dos “ilustres” operadores do direito no Brasil? Remontam à cultura bacharelista da colônia e do império (muito latim e pouco trabalho).

No caso das autoridades judiciárias, guardadas as devidas e merecidas exceções, utilizam-se de um linguajar pernóstico e pomposo, tipo “embromation”, para esconderem que nos custam caro e produzem pouco.

Quem viveu a década de 1980 – eu tinha uns 10 anos quando passou – se lembra perfeitamente dos discursos sonolentos do professor Astromar Junqueira, papel interpretado pelo ator Rui Rezende na festejada telenovela Roque Santeiro, de Dias Gomes.

Como nosso Judiciário, de dia Astromar fazia discursos rebuscadíssimos e cortejava a mão de dona Mocinha (Lucinha Lins), filha do prefeito Florindo Abelha (Ary Fontoura); pela noite, virava lobisomem.

Discurso de Ulisses Guimarães, Pres. da Assembléia Nacional Constituinte

Antonio Novais Torres

antonio-novais-torresUlysses Guimarães – Exmo. Sr. Presidente da República, José Sarney; Exmo. Sr. Presidente do Senado Federal, Humberto Lucena; Exmo. Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Rafael Mayer; Srs. membros da Mesa da Assembleia Nacional Constituinte; eminente Relator Bernardo Cabral; preclaros Chefes do Poder Legislativo de nações amigas; insignes Embaixadores, saudados no decano D. Carlo Furno; Exmos. Srs. Ministros de Estado; Exmos. Srs. Governadores de Estado; Exmos. Srs. Presidentes de Assembleias Legislativas; dignos Líderes partidários; autoridades civis, militares e religiosas, registrando o comparecimento do Cardeal D. José Freire Falcão, Arcebispo de Brasília, e de D. Luciano Mendes de Almeida, Presidente da CNBB; prestigiosos Srs. Presidentes de confederações, Sras. e Srs. Constituintes;
Minhas senhoras e meus senhores:
Estatuto do Homem, da Liberdade, da Democracia. Dois de fevereiro de 1987: “Ecoam nesta sala as reivindicações das ruas. A Nação quer mudar, a Nação deve mudar, a Nação vai mudar.” São palavras constantes do discurso de posse como Presidente da Assembleia Nacional Constituinte.
Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange à Constituição, a Nação mudou.
A Constituição mudou na sua elaboração, mudou na definição dos poderes, mudou restaurando a Federação, mudou quando quer mudar o homem em cidadão, e só é cidadão quem ganha justo e suficiente salário, lê e escreve, mora, tem hospital e remédio, lazer quando descansa. Num país de 30.401.000 analfabetos, afrontosos 25% da população, cabe advertir: a cidadania começa com o alfabeto. Continue lendo Discurso de Ulisses Guimarães, Pres. da Assembléia Nacional Constituinte

Artigo: Qual é o problema do Brasil?

SEGUNDA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO DE 2017
O povo brasileiro                                                        Os operário (1933), de Tarsila Amaral
* Levon Nascimento

Levadas pela overdose patrocinada pela mídia comercial, as pessoas pensam que o principal problema do Brasil é a corrupção. É “a tolice da inteligência brasileira ou como o país se deixa manipular pela elite”, título de um dos estudos basilares do pensador social brasileiro e ex-presidente do IPEA Jessé Souza. Mais adiante ele diz: “a classe média é feita de imbecil pela elite”.

A corrupção, mesmo grave e escandalosa, é consequência de um problema muito maior, histórico e estrutural: a desigualdade social.

Sim, o Brasil é campeão em desigualdade social. Herança dos quase quatrocentos anos de escravidão.

Muitos poderão dizer que houve escravidão em outros países e que eles não são tão desiguais ou corruptos quanto o Brasil e estarão falando a verdade. Mas a nossa escravidão teve algumas particularidades bem decisivas e cruéis. Continue lendo Artigo: Qual é o problema do Brasil?

Serrinha: Vaquejada terá virada de lote na terça-feira (5)

vacas
Maiara e Maraísa

A VaquA Vaquejada de Serrinha está chegando e quem ainda não adquiriu os ingressos deve se apressar. As entradas, que atualmente custam entre R$ 50 e R$ 320, ganharão novos valores na terça-feira (5). A festa acontece de 7 a 10 de setembro, no Parque Maria do Carmo, em Serrinha. O evento mescla atrações musicais e competições esportivas, com prêmios de até R$275 mil.

Durante a 21ª edição da festa, o público vai curtir shows de artistas como Wesley Safadão, Amado Batista, Luan Santana, Pablo, Maiara e Maraísa e Márcia Fellipe. Também se apresentam no evento Harmonia do Samba, Léo Santana, Tayrone, Silvanno Sales, Gabriel Diniz, Jonas Esticado, Seu Maxixe, Alandin, Mano Walter, Arreio de Ouro e Chicabana.

Os ingressos podem ser adquiridos nas lojas oficiais da Vaquejada, no 2º piso do Shopping da Bahia e no Shopping Serrinha, ou pelo site: vendas.parquemariadocarmo.com.br.

Sexta-Feira (08/09) – FESTA DO BEZERRO MANHOSO
Pista Meia – R$ 50
Pista Inteira – R$ 100
Camarote VIP – R$ 110
Camarote VOU SIM (open bar) – R$ 220

Sábado (09/09) – FESTA DA VACA ATOLADA
Pista Meia – R$ 80
Pista Inteira – R$ 160
Camarote VIP – R$ 170
Camarote VOU SIM (open bar) – R$ 320

Domingo (10/09) – FESTA DO BOI MALANDRO
Pista Meia – R$ 80
Pista Inteira – R$ 160
Camarote VIP – R$ 170
Camarote VOU SIM (open bar) – R$ 320

A resistência cultural no Alto Rio Pardo

* Levon Nascimento

Levon Nascimento Crer e Lutar Lídio Ita Blue Milton Santiago Felipe Cortez Marileide Alves Pinheiro Carlos Renier Vlade Patrício Salinas Taiobeiras São João Paraíso Rio Pardo MinasApesar da realidade sombria do Brasil, do golpe de Estado, da retirada neoliberal de direitos e da ditadura da toga – ou talvez até por conta dela, como anticorpos benéficos – a esperança tem se feito presente na arte, na literatura e na comunicação do Alto Rio Pardo, do Vale do Jequitinhonha e do Norte de Minas.

Lancei meu livro “CRER E LUTAR” em Taiobeiras no dia 02 de junho de 2017, como um brado de fé e de militância contra o processo de fascistização da sociedade, tendo a inspirada capa da multiplicação dos pães e dos peixes, pintada em tela pela nossa internacional Lizz Nobel e apresentação da jornalista montes-clarense Valéria Borborema.

O Atalho Alternativo Cultural de São João do Paraíso, dos amigos Lídio Ita Blue, Márcia Barreto e do rapper Flávio, nadam contra a maré massificadora levando arte, boa música e reflexão às praças paraisenses.

O poeta Carlos Renier Azevedo escreveu o cordel “Vaqueiro Centenário”, narrando a trajetória do Sr. Lydio Barreto (pai de Lídio Ita Blue), de Pedra Azul, resgatando as tradições, “os fazeres” e as raízes sertanejas do Vale do Jequitinhonha/Norte de Minas.

* Felipe Cortez Aragão Grimaldy e Marileide AP, em incessante ativismo por cultura, comunicação e direitos humanos, garantiram para Taiobeiras a 7ª edição do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, a ocorrer em fevereiro de 2018.

* Enquanto isso, nosso poeta Milton Santiago, de nossa vibrante Salinas, se prepara para lançar mais uma obra de ternura e amor à região, o livro “A menina e o poeta” no próximo 06 de setembro.

* E nossa histórica Rio Pardo de Minas ganhará de presente o livro de Vlade Patrício, em 16 de setembro, “Um olhar no passado”.

O Alto Rio Pardo está vivo, na luta, contra os retrocessos, transmutando-se em literatura, música, performances, ativismo político e muita vontade de se eternizar na HISTÓRIA!

A luta continua…

* Professor e escritor, de Taiobeiras/MG.

Não vou me render

André                                                                           André do Amaral

Não serei arrastado na lama que rompeu a barragem que impedia a barbárie.

O país não é só isso.

Para cada Gilmar Mendes, tem um Manoel de Barros.

Para cada Aécio Neves, tem um mestre de Congada resistindo à opressão nas mesmas terras mineiras.

Para cada Michel Temer, um Mário de Andrade na paulicéia.

O país não é só um branco de gravata ou toga.
É vermelho na pele indígena.
É preto potente na pele da menina.
É um guri, um piá, um curumim.

É trans!

É trem bão, é da hora, é sinistro, é massa! Ainda que não pareça, passa.
E eles passarão.

Desanima, não.

Menos preocupação e mais ocupação.

O país, novamente, está sendo saqueado. Seu povo pobre dizimado.Mas, até por uma questão de lógica, enquanto estivermos vivos não dá pra decretar derrota.

Minha energia.Meu pensamento e meu afeto se movem pela transformação e pela justiça social.

Para que pessoas não morram pela cor da pele.
Pela orientação sexual.
Por denunciarem injustiças.
Por serem quem são.

O país não é só o Planalto.
A injustiça suprema.
Homens asquerosos.
Um país reacionário.
Quadrado.

É também roda.
De samba.
De capoeira.
De poesia.

É uma espiral.

É a mata, os bichos, as ervas, a arte, o povo.Tudo que nele brota.

É uma idosa distribuindo sopa e cuidando de pessoas em situação de rua.

É uma benzedeira curando as crianças da comunidade.

É um professor mal pago e apaixonado mudando a vida de crianças e jovens.

É um poeta desconhecido.
Uma dançarina sonhadora.
Uma enfermeira incansável.
Um músico genial.
Um gari cantarolando enquanto varre.
Um garçom simpático.
Uma cozinheira incrível.
Um sábio pajé.
Uma mulher quilombola líder comunitária.
Uma criança alcançando o paraíso na amarelinha.
Um bando de gente linda e anônima.

O Brasil é imenso!

Desistir dele é deixar de perceber a beleza que nele contém.

Abrir mão da potência que dele provém.

Vamô junto!

Contra a perda de direitos e o desmonte do país, o lema do povo guerreiro:

“Só a luta muda a vida!”

André do Amaral, 30 anos, paulistano. Escritor e arte-educador formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP). Investiga a potencialidade criadora da escrita. Trabalhou em diversos projetos de arte-educação que lhe ensinaram a importância de “desaprender”. Atualmente, é orientador de dramaturgia no Projeto Espetáculo do Programa Fábricas de Cultura, mantém um blog de publicação semanal, ministra encontros de criação literária e desenvolve uma dissertação de mestrado no Instituto de Artes da UNESP. Ver todos os posts de André do Amaral