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Brumado: Antonio Novais Torres “Poesia O AZARADO”

Por: Antonio Novais Torres

 AZARADO

> Trabalhava na
> Viação
> Férrea Federal Leste Brasileira como maquinista, era
> sediado em determinada
> cidade, onde vivia com a mulher considerada a Matriz,
> comentava-se que já era a
> terceira do seu envolvimento. Viajava
> constantemente para outras localidades da sua linha de
> trabalho ou,
> eventualmente, outro lugar indicado pela empresa.
> Diziam que em
> cada cidade, fim de linha, tinha
> pouso e mulher com quem dividia seus
> amores.
> Surgiu a
> oportunidade do Plano de Demissão
> Voluntária – com o recebimento da indenização PDV,
> comprou uma casa e saiu do aluguel. E por ter
> tempo suficiente de trabalho aposentou-se. A esposa ficou
> bastante satisfeita, casa
> própria e o marido em casa, não mais viajava ficando
> fora por dias, trazendo-lhe preocupações. Tudo
> corria às mil maravilhas, só
> contentamento, dedicava-se ao lar com carinho e
> sentimentos de qualidades que
> envolvia dedicação à família.
>
> O aposentado era
> aficionado por carro e convenceu a esposa em vender a
> residência e comprar um carro que lhe daria muita
> satisfação e com o dinheiro da aposentadoria podia pagar
> aluguel e fazer outros
> gastos, posteriormente, adquiriria
> uma moradia de melhores condições de
> habitabilidade.
>
> Como não tinha
> ocupação obrigatória, passava o dia jogando dominó com
> os amigos,
> também aposentados. Um deles pediu o carro emprestado para
> realizar algo de seu interesse, sabia dirigir, mas não
> era habilitado. Ocorre que trafegando na contramão,
> colidiu com um veículo novo e de valor bem
> superior ao que dirigia. Por conta desse acidente o
> proprietário do veículo que
> causou o acidente foi obrigado, por não
> ter como arcar com o valor dos serviços a serem executados,
> entregar o seu carro como pagamento da avaria causada
> no outro automóvel. Em troca, para não ficar a pé, por
> decisão e benevolência, recebeu do dono do carro
> danificado, uma bicicleta para sua
> locomoção.
>
> A mulher
> indignou-se com
> a situação, ficou nervosa e contrariada pelo sucedido, a
> relação entre ambos
> deteriorou-se, sempre era repreendido pela atitude
> inconsequente em vender a moradia
> para comprar um carro, situação que revoltara a
> esposa.
>
> A bicicleta passou
> a
> ser usada pelo filho, que por descontrole, atropelou uma
> criança e o bem ficou retorcido,
> imprestável. O pai teve de arcar com as
> consequências e o pagamento das despesas com remédios e
> hospital.
>
> A
> consorte enfurecida comentava : “essa
> tragédia é culpa de seu propósito que
> culminou em desagradável constrangimento
> familiar”.
>
> Por sentir-se
> abandonado e não ficar isolado e ter com
> quem parlamentar, vez que a indigitada o desprezava, com
> raiva das atitudes
> desastradas do marido. Trocou com um amigo, as ferragens da
> bicicleta, por um
> cachorro da raça pastor-alemão a quem somente ele tinha
> acesso. Era um animal
> vistoso, um cão de guarda, que fora
> colocado no quintal e mais ninguém adentrava no local a
> não ser o dono. Colocou-lhe o nome de ‘Não Digo’.
> Quando alguém perguntava o nome
> do cachorro dizia ‘Não Digo’. Esse
> animal, valente e perigoso, quando
> escapulia dava o maior trabalho para retornar ao canil e só
> obedecia ao comando
> do dono. Por fim, por temer tragédia
> provocada pelo o animal, o ofereceu para
> um fazendeiro que morava longe do
> lugar.
>
> A mulher,
> contrariada, o abandonou, carregou os filhos e foi para
> São
> Paulo sem comunicar-lhe a decisão. A realidade e a moral da
> história é o
> seguinte: perdeu a casa, o carro, a
> bicicleta, o cachorro, a mulher e os
> filhos. Ainda teve que dividir a aposentadoria reivindicada
> pela consorte, com autorização da
> justiça.
>
> Eta, sujeito
> azarado!
>
>
>
> Antonio Novais
> Torres
>
> antorres@terra.com.br
>
> Brumado, novembro
> 2016.

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