ARTIGO DE OPINIÃO: Qual política?

* Levon Nascimento

Mestre Levon Nascimento

Muita gente nem quer ouvir falar de política, pois não aguenta mais tanta polarização, picuinha, xingamento e mediocridade.

Já outros adoram ver o circo pegar fogo, intrigas e revelações, traições e quedas, ambições e perdição.

Há também quem acredita que pela política se pode transformar o mundo em lugar melhor e os seres humanos em pessoas civilizadas.

Eu acredito que a política está em tudo, nas relações humanas e na tomada de decisões, seja para o coletivo ou para o individualismo.

É óbvio que há luta de classes. Isso não é uma invenção. É algo constatável. Um exemplo é que a patroa sempre vai querer que a empregada doméstica trabalhe mais e aceite receber menos. A política, enquanto controle do papel do Estado, teria a missão de regular essa relação entre a patroa e a empregada, impedindo que a primeira espolie a segunda, pois é inegável o desnível de poder entre ambas.

A política que nega a disparidade de renda, reduzindo a conceituação das misérias humanas apenas a quesitos de maior ou de menor empreendedorismo dos indivíduos, colabora para a manutenção das desigualdades e cultua a mentira da meritocracia para o sucesso ou o fracasso.

O Estado é necessário para atenuar as diferenças sociais. Porém, jamais para induzir ou suprimir as identidades. Eu acredito na social-democracia: nem o Estado mínimo, nem o Estado totalitário. Política para um Estado democrático e livre, regulador e de direitos.

Muitos usam a política apenas para os interesses próprios, para levar vantagens pessoais, enriquecer ou agregar os parentes.

Outros encontram na política a salvaguarda dos interesses privados e individuais, o comitê de uma classe privilegiada.

Sem adjetivação que só serve para esconder a falta de projetos: velha política, nova política; que seja a política feita para a coletividade.

Eu acredito na política para o bem comum, para a regulação das relações de trabalho e para a instituição de serviços básicos que só fazem sentido de existirem se forem públicos e universais, como saúde, educação, seguridade social e segurança.

Não é preciso ser candidato ou funcionário público para ser político, basta ser humano e se interessar pela vida em sociedade. Diria mais, pelo bem dos outros.

Eu acredito na política que transforma todas as pessoas em seres humanos HUMANOS!, especialmente aqueles que nasceram desfavorecidos de oportunidades concretas.

Se for para fazer política egoísta, melhor dela não participar.

* Levon Nascimento é professor de História, escritor com seis livros publicados e mestre em Políticas Públicas.

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Redação

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