A CONSCIÊNCIA NEGRA: PARA BRANCOS OU PARA NEGROS?

HOMENAGEM A SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Por Antônio Santana

Poeta e professor condeubense Antônio da Cruz Santana

Eu sou Antônio da Cruz Santana, Saubarense, baiano, brasileiro, sou negro com muito orgulho, professor, escritor e poeta. Amo a minha família constituída de (pais negros, irmãos negros e avós negros), a minha raça é negra, da felicidade de uma vasta e deliciosa culinária (africana, brasileira e baiana), dos nossos costumes advindos dos nossos ilustres irmãos negros (escravos), escravos africanos e afrodescendentes brasileiros da América do Sul.
Inegavelmente pertencemos sim, a uma descendente RAÇA NEGRA que sofreu muito no passado, mas que infelizmente continua a sofrer em dias atuais não pela ausência de inteligência, mas pela cor da pele e pela falta de oportunidade político, econômico, cultural e social de um país que oferece poucas políticas públicas para tornarmos iguais aos outros.
Sofremos ainda, pelas mazelas de uma gama da sociedade elitizada e excludente que nos julga pela cor como motivo fútil para nos inferiorizar em detrimento da nossa condição social em que a pessoa humana ocupa na pirâmide da sociedade brasileira atual, desestruturada e mal administrada pelos poderosos.
Portanto, ao me colocar e me caracterizar no texto e no contexto da nossa história, não somente assumo a minha condição publicamente de NEGRO, como também a defesa de uma RAÇA dignamente e respeitosamente merecedora de consideração e reparos pelo passado perverso, infame e cruel pelos quais os negros (as) foram e (são) submetidos ao trabalho escravo.
Os negros (as) de ontem que foram maltratados, massacrados, pisoteados, ridicularizados e humilhantemente espancados, torturados e outros até mesmo mortos pelos capatazes dos senhores feudais do século passado condições não muito distante do nosso presente. Enquanto isso, podemos elencar alguns fatores que melhoraram e a serem consideravelmente melhorados como por exemplo, o emprego, a saúde, a educação, a moradia, o lazer, o esporte e tantos outros direitos sociais que são assegurados pela nossa Constituição de 05 de outubro de 1988, que são negados ou violados pelo Poder Público Brasileiro.
Porque infelizmente vivemos em uma sociedade egoísta, machista, desigual, violenta e completamente racista e preconceituosa principalmente com negros e pobres das periferias das pequenas, médias e grandes cidades brasileiras. Porém, é nela que temos que morar, conviver com pessoas de ideias e memórias diferentes, donos (as) de suas verdades e vaidades, vivendo em suas vidas particulares (vazias) de bens espirituais para com os seus semelhantes.
Por outro lado, penso que viver ou comemorar o Dia 20 de Novembro, como Dia da Consciência Negra representada pelo nosso Grande líder Zumbi dos Palmares, significa se reconhecer como seres diferentes e resistentes diante de uma triste lembrança mais vitoriosos por não sermos covardes e não fugir à LUTA. Por isso, cabe-nos perguntar: A consciência Negra para quem, brancos ou negros? Por fim, deixo essa mensagem para conscientemente fazermos uma profunda reflexão acerca não somente do (20 de Novembro) mais dos 365 dias do dia-a-dia da luta e da labuta dos Negros (as) em especial, mais de todas as pessoas e segmentos da nossa sociedade que por um motivo ou por outro se sentem EXCLUÍDOS em todos os aspectos da mesma.
Obrigado meu Deus por eu ser o que sou, sem precisar de mudar de cor ou de quaisquer outras concepções para as quais eu não fui e (nem quero) ser orientado.

VIVA A CONSCIÊNCIA NEGRA BRASILEIRA!!!

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3 comentários sobre “A CONSCIÊNCIA NEGRA: PARA BRANCOS OU PARA NEGROS?

  1. O povo brasileiro precisa se dar conta que somos uma nação cuja formação entraram três raças na nossa composição: branca, negra e ameríndia. Nosso percentual de sangue negro é elevado, tanto que somos pardos. Acho falta de educação e de consciência essa discriminação contra nossos irmãos de cor. São tão bonitos! Fortes, inteligentíssimos, trabalhadores, honestos. Veja a beleza dos jovens e das jovens negras. Sem eles, nosso país não estaria em pleno desenvolvimento, pois é realmente quem mais tem coragem para tudo enfrentar. Eles merecem respeito. Parabéns Santana, belo artigo.

  2. Sou filho de uma miscigenação de raças, branco, indio e negro, sou feliz por isto, principalmente por ser bisneto de um negro de nome Jesuino, que era pai de minha avó Sinésia, meu bisavô Jesuino era deficiente visual (cego) no entanto era um grande artesão nos enchendo de orgulho até os dias de hoje. Acredito que, com os valores que existem hoje, a sociedade não deveria estar diferenciando as pessoas pela raça, cor, credo ou por qualquer outro tipo de “rótulo”. É assim que penso!!
    Um abraço em todos…

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